Rota do pão - Memória do tempo

Na linha fronteiriça do horizonte, uma crista de moinhos de vento, limita o território dos homens. As suas velas descrevem uma dança ritual entre a terra e o céu, com os corvos por testemunhas.

Por aqui passaram Romanos, Visigodos e Árabes, neste punhado de terra fecundado pela espiritualidade, semeado de sol e de flores, de pássaros e de gente boa, onde não há semente que não se transforme na fruta mais colorida ou no trigo mais louro; não há céu mais macio nem luz mais acariciante para as mil cores que Deus aqui deixou para desafiar os artistas...

Os que partiram para longe guardaram esta terra agarrada a sola dos seus sapatos e a saudade cravada na alma... No coração, tradições, festas e rituais que pontuavam o ritmo das estações, das colheitas, das ceifas, das vindimas... Na pele, uma cultura. Ribeiros e riachos emitem música para inspirar os poetas e um firmamento luminoso resguarda luminosos segredos de beleza para quem os queira ver. E de repente, o milagre da criação está aí, óbvio, oferecido a nossa contemplação, exibindo a sua beleza com toda a espontaneidade. De repente, abre-se na nossa memória aquele livro de imagens, cheio de emoções estéticas que dormitavam e que situamos lá muito perto do paraíso, onde giestas e rosmaninho abundam.

Certas palavras são mágicas. Assim que são evocadas ou invoca das, invadem a imaginação e convidam para as viagens mais extraordinárias, pelos tempos e pelo grande mundo fora. "PÃO" e uma delas! Porque o pão e uma arte, uma arte que levou alguns milhares de anos a maturar, sempre um ritual de harmonia, respeito, pureza e tranquilidade. O uso do pão como alimento remonta a mais alta antiguidade. As origens sânscritas dão-lhe uma tal antiguidade que o pão, como base universal da alimentação humana, remonta as primeiras civilizações.

 

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